FAQ
- Conceitos e Terminologias
- Eventos adversos relacionados a medicamentos
- Reação adversa a medicamento
- Erro de medicação
- Diferenças entre erros de medicação e reações adversas
- Erro de prescrição
- Erro de dispensação
- Erro de administração
Um dos obstáculos encontrados no estudo e prevenção de erros de medicação é a falta de padronização e a multiplicidade da terminologia utilizada para classificá-los.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Council of Europe propuseram uma classificação internacional dos termos usados em segurança do paciente, de forma a promover a harmonização destas definições. Entretanto, ainda é observada a pluralidade de conceitos e definições.
Disponibilizamos abaixo o link que dá acesso aos artigos da OMS e do Council of Europe para consulta.
Eventos adversos relacionados a medicamentos
São considerados como qualquer dano ou injúria causado ao paciente pela intervenção médica relacionada aos medicamentos. A American Society of Health-System Pharmacists define-os como qualquer injúria ou dano, advindo de medicamentos, provocados pelo uso ou falta do uso quando necessário6. A presença do dano é, portanto, condição necessária para a caracterização do evento adverso (AMERICAN SOCIETY OF HEALTHY-SYSTEM PHARMACISTS 6; BATES D.W. et al. 7; OTERO M.J., DOMÍNGUES A.G. 8; ROSA M.B., PERINI E. 9).
Outra definição utilizada em alguns estudos é: Qualquer dano provocado por iatrogenia relacionada a medicamento. Estão incluídos neste conceito os erros de medicação e as reações adversas (BRYONY D.F. et al. 10).
Resposta nociva a uma droga, não intencional, que ocorre nas doses usuais para profilaxia, terapêutica, tratamento ou para modificação de função fisiológica (WORLD HEALTH ORGANIZATION 4). Uma dos problemas em relação a este conceito de 1972, é que não havia como classificar as reações ou sintomas provocados por erros na utilização do medicamento, sendo um deles a utilização de doses não usuais para o homem. Várias outras definições foram publicadas no sentido de diferenciar a reação adversa e o erro de medicação, sendo uma delas, descrita a seguir: Qualquer resposta nociva ou indesejada ao medicamento, que ocorre na dose normalmente usada para profilaxia, diagnóstico ou tratamento ou tratamento de doença, ou para modificação de função fisiológica, mas não devido a um erro de medicação (EDWARDS I.R., ARONSON J.K. 5).
Qualquer evento evitável que, de fato ou potencialmente, pode levar ao uso inadequado de medicamento. Esse conceito implica que o uso inadequado pode ou não lesar o paciente, e não importa se o medicamento se encontra sob o controle de profissionais de saúde, do paciente ou do consumidor. O erro pode estar relacionado à prática profissional, produtos usados na área de saúde, procedimentos, problemas de comunicação, incluindo prescrição, rótulos, embalagens, nomes, preparação, dispensação, distribuição, administração, educação, monitoramento e uso de medicamentos (AMERICAN SOCIETY OF HEALTHY-SYSTEM PHARMACISTS 6; NATIONAL COORDINATING COUNCIL FOR MEDICATION ERROR REPORTING AND PREVENTION11).
Diferenças entre erros de medicação e reações adversas
Os eventos adversos preveníveis e potenciais relacionados a medicamentos são produzidos por erros de medicação, e a possibilidade de prevenção é uma das diferenças marcantes entre as reações adversas e os erros de medicação. A reação adversa a medicamento é considerada como um evento inevitável, ainda que se conheça a sua possibilidade de ocorrência, e os erros de medicação são, por definição, preveníveis (ROSA M.B. et al. 12).
Erro de prescrição com significado clínico é definido como um erro de decisão ou de redação, não intencional, que pode reduzir a probabilidade do tratamento ser efetivo ou aumentar o risco de lesão no paciente, quando comparado com as praticas clínicas estabelecidas e aceitas (DEAN B., BARBER N., SCHACHTER V. 13).
São apresentadas três definições. Entretanto, é preciso ressaltar que estas definições não abordam a possibilidade da prescrição médica estar errada e o atendimento de uma prescrição incorreta é também um erro de dispensação. - Definido como a discrepância entre a ordem escrita na prescrição médica e o atendimento dessa ordem (FLYNN et al. 14). - São erros cometidos por funcionários da farmácia (farmacêuticos, inclusive) quando realizam a dispensação de medicamentos para as unidades de internação (COHEN M.R. 15). - Erro de dispensação é definido como o desvio de uma prescrição médica escrita ou oral, incluindo modificações escritas feitas pelo farmacêutico após contato com o prescritor ou cumprindo normas ou protocolos preestabelecidos. E ainda considerado erro de dispensação qualquer desvio do que é estabelecido pelos órgãos regulatórios ou normas que afetam a dispensação (BESO A., FRANKLIN B.D., BARBER N. 16).
São apresentadas duas definições sendo que a primeira considera que tudo que for desvio da prescrição médica é considerado erro de administração. Este conceito considera que a prescrição está sempre correta quanto à administração de medicamentos, o que não ocorre na prática. A segunda definição (TAXIS K., BARBER N. 17) já prevê a possibilidade do medicamento ser administrado na técnica correta e pode estar diferente da prescrição médica, sendo uma definição mais prática e realista.
É considerado erro de administração a ocorrência de um desvio entre o que está prescrito e o que foi administrado (BARKER K.N., FLYNN E.A., PEPPER G.A. 18).
Qualquer desvio na preparo e administração de medicamentos mediante prescrição médica, não observância das recomendações ou guias do hospital ou das instruções técnicas do fabricante do produto. Considera ainda que não houve erro se o medicamento foi administrado de forma correta mesmo se a técnica utilizada contrarie a prescrição médica ou os procedimentos do hospital (TAXIS K., BARBER N. 17).
Referências:
1. Yu KH, Nation RL, Dooley MJ. Multiplicity of medication safety terms, definitions and functional meanings: when is enough? Qual Saf Health Care. 2005; 14(5):358-63.
2. World Health Organization. World Alliance for Patient Safety Taxonomy. [acesso em 4 de setembro de 2009] Disponivel em: http://www.who.int/patientsafety/taxonomy.
3. Franklin BD, Rei MJ, Barber N. Dispensing errors [editorial]. International Journal of Pharmacy Practice 2009, 17:17-18.
4. World Health Organization. International drug monitoring: the role of national centres. Geneva: World Health Organization; 1972 (WHO Technical Reports Series, 498).
5. Edwards IR, Aronson JK. Adverse drug reactions: definitions, diagnosis, and management. Lancet 2000: 356:1255-9.
6. American Society of Healthy-System Pharmacists. Suggested definitions and relationships among medication misadventures, medication errors, adverse drug events, and adverse drug reactions - 1998 [on line]. [cited 1998 Jan. 21] Available from: http://www.ashp.org/public/proad/ mederror.
7. Bates DW, Spell N, Cullen DJ, Burdick E, Laird N, Petersen LA, et al. The costs of adverse drug events in hospitalized patients. JAMA 1997; 277(4): 307-11.
8. Otero MJ, Domíngues AG. Acontecimientos adversos por medicamentos: una patología emergente. Farm. Hosp. 2000;24(4):258-266.
9. Rosa MB, Perini E. Erros de medicação: quem foi? Rev Assoc Med Bras. 2003;49(3):335-41.
10. Bryony DF, Vincent C, Schachter, Barber N. The incidence of prescribing errors in hospital inpatients. Drug Safety 2005 : 28 (10) 891-900.
11. National Coordinating Council for Medication Error Reporting and Prevention. Taxonomy of medication errors - 1998-1999 [on line]. [cited 2001 Nov 19] Available from: http://www.nccmerp.org/public/aboutmederror.htm.
12. Rosa MB, Perini E, Anacleto TA, Neiva HM, Bogutchi T. Erros na prescrição hospitalar de medicamentos potencialmente perigosos.Rev. Saúde Pública 2009. 6(43): 490-8.
13. Dean B, Barber N, Schachter V. What is prescribing error? Qual Health Care 2000; 9:232-7.
14. Flynn ,AE, Barker, KN, Carnahan BJ. National observational study of prescription dispensing accuracy and safety in 50 pharmacies. J Am Pharm Assoc 2003; 43(2):191-200.
15. Cohen MR. Medication errors. 2ª ed. Washington: American Pharmaceutical Association; 2006.
16. Beso A, Franklin BD, Barber N. The frequency and potencial causes of dispensing errors in a hospital pharmacy. Pharm Word Sci. 2005;27:182-190.
17. Taxis K, Barber N. Ethnographic study of incidence and severity of intravenous drug erros. BMJ 2003; 326(7391):684-7.
18. Barker KN, Flynn EA, Pepper GA. Observation method of detecting medication errors. Am J Health Syst Pharm 2002; 59: 2314-6.




